Mamoplastia de Aumento
A mamoplastia de aumento é uma cirurgia plástica destinada a aumentar o volume mamário com implantes de silicone. É indicada para pacientes com hipomastia (mamas de pequeno volume), assimetria mamária ou perda de volume após gestação ou variações ponderais. Quando há ptose mamária associada à perda de volume, a indicação correta passa a ser a mastopexia com prótese. As decisões técnicas centrais envolvem o tipo de implante, a via de acesso e o plano de posicionamento — todas individualizadas em consulta.
Ficha Técnica
| Indicação principal | Hipomastia (volume mamário diminuído), assimetria mamária ou hipoplasia tuberosa |
| Anestesia | Geral, conduzida por médico anestesiologista |
| Duração estimada | Aproximadamente 1h30 a 2h30 |
| Hospital | Hospital de Clínicas de Passo Fundo (HCPF) ou Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) |
| Internação | Ambulatorial ou 1 diária, conforme protocolo |
| Retorno ao trabalho | 7 a 14 dias, conforme atividade |
| Atividade física | Mobilização precoce desde os primeiros dias; caminhada como exercício a partir de 15–30 dias; atividade física estruturada após 30–45 dias |
| Resultado final | 6 a 12 meses, com a forma final estabilizada |
Os tempos descritos são faixas típicas. A indicação cirúrgica e o planejamento individual são definidos em consulta presencial. Os resultados variam conforme cada paciente.
O Que é a Mamoplastia de Aumento
A mamoplastia de aumento adiciona volume às mamas com a colocação de implantes de silicone. A cirurgia trata exclusivamente o volume — não corrige ptose mamária (queda das mamas), que demanda mastopexia associada (consulte Mastopexia com Prótese).
A escolha entre implante de silicone, lipoenxertia mamária (transferência de gordura própria para a mama) ou combinação das duas técnicas é definida em consulta, com base em anatomia mamária, qualidade do tecido, expectativa estética e perfil clínico.
Quem é Candidato à Mamoplastia de Aumento
A indicação inclui pacientes com:
- Hipomastia — pequeno volume mamário congênito ou adquirido
- Assimetria mamária significativa — diferença relevante entre as duas mamas
- Perda de volume após gestação ou variações ponderais — sem ptose mamária associada (com ptose, a indicação é mastopexia com prótese)
- Sequelas reconstrutivas — em casos selecionados
Pacientes com expectativa irrealista, instabilidade emocional, tabagismo ativo, comorbidades não controladas ou em fases inadequadas (gestação, lactação) não são candidatas no momento. A avaliação é individualizada.
Tipos e Técnicas de Mamoplastia de Aumento
A mamoplastia de aumento atual envolve decisões técnicas em quatro frentes:
Tipo de Implante
Os implantes de silicone variam em superfície (lisa ou microtexturizada), formato (redondo ou anatômico), perfil (alto, médio ou baixo) e volume (medido em centímetros cúbicos). A escolha é individualizada conforme anatomia torácica, qualidade do tecido mamário, expectativa estética e perfil clínico.
Formato. Os implantes redondos têm distribuição simétrica do volume em todos os polos da mama, tendendo a oferecer maior projeção do polo superior — característica frequentemente buscada quando a paciente deseja um perfil mais marcado. Os implantes anatômicos (em formato de gota) concentram mais volume no polo inferior, com transição suave para o polo superior, simulando o contorno natural da mama feminina. A escolha entre os dois formatos depende do biotipo torácico, da qualidade do tecido mamário e da expectativa estética. Implantes anatômicos exigem orientação anatômica precisa durante o implante e demandam superfície texturizada para reduzir risco de rotação.
Superfície e categoria de poliuretano. Além das superfícies lisa e microtexturizada, existe uma categoria distinta: os implantes com revestimento de poliuretano. O revestimento é uma cobertura de espuma de poliuretano que se integra ao tecido capsular circundante, com perfil de comportamento diferente das próteses convencionais — apresenta, na literatura, taxas reduzidas de contratura capsular e de deslocamento, características que justificam sua indicação em revisões cirúrgicas, em pacientes com histórico de contratura ou em casos específicos definidos em consulta. O perfil de risco de BIA-ALCL associado a esses implantes segue em avaliação contínua pelos órgãos regulatórios (FDA, ANVISA) e pela literatura internacional.
O risco de BIA-ALCL (Linfoma Anaplásico de Grandes Células Associado a Implantes Mamários) é maior em implantes texturizados, especialmente em linhas macrotexturizadas específicas — a linha Allergan BIOCELL foi retirada do mercado pela FDA em 2019. A literatura e os órgãos regulatórios continuam acompanhando o tema.
Via de Acesso
As três vias principais são:
- Inframamária — incisão sob a prega da mama, permite controle técnico preciso e cicatriz frequentemente discreta
- Periareolar — incisão na borda da aréola, útil em pacientes com aréolas maiores e permite tratamento simultâneo de assimetria
- Axilar — evita cicatriz na mama
A escolha depende da anatomia, da preferência da paciente e do plano técnico do cirurgião.
Plano de Posicionamento
O implante pode ser posicionado em quatro planos:
- Subglandular — sob a glândula mamária, acima do músculo
- Subfascial — sob a fáscia que recobre o músculo peitoral
- Submuscular — completamente sob o músculo peitoral maior
- Dual plane — parcialmente sob o músculo, parcialmente sob a glândula
Pacientes com tecido mamário robusto podem ter implante subglandular ou subfascial. Pacientes com pouco tecido mamário podem se beneficiar do plano submuscular ou dual plane, que reduz a visibilidade do contorno do implante.
Tecnologias Complementares
Telas absorvíveis como reforço de sustentação. As telas absorvíveis são malhas cirúrgicas projetadas para reforçar estruturalmente o plano profundo da mama em casos selecionados. Funcionam como uma rede de sustentação interna que se integra progressivamente aos tecidos, sendo absorvida pelo organismo em períodos que variam de meses a anos conforme o material utilizado. Sua aplicação em mamoplastia de aumento é especialmente considerada em revisões cirúrgicas, em pacientes com tecidos de qualidade comprometida (após gestações, variações ponderais ou cirurgias prévias) e em situações em que a sustentação do implante exige reforço adicional do plano muscular, fascial ou de sustentação glandular.
As principais opções de telas absorvíveis disponíveis no mercado incluem TIGR® Matrix (copolímero sintético de glicolida, lactida e trimetileno carbonato, com perfil de absorção lento ao longo de aproximadamente três anos — a degradação progressiva permite substituição gradual por tecido autólogo, com alto perfil de biocompatibilidade) e GalaFLEX® (P4HB — poly-4-hidroxibutirato, polímero sintético com resistência mecânica mantida por 12 a 18 meses, projetado para sustentação prolongada do plano profundo, com substituição posterior por colágeno tecidual). A escolha entre essas opções considera o cenário clínico (cirurgia primária ou revisão), as características anatômicas da paciente, a qualidade do tecido mamário, a localização do implante e a literatura científica disponível para cada material. A indicação de tela absorvível e a definição do tipo utilizado, quando aplicável, são individualizadas em consulta presencial.
Lipoenxertia mamária complementar. A transferência autóloga de gordura — captada por lipoaspiração das áreas doadoras — pode ser associada à mamoplastia de aumento para refinamento de transições, particularmente no decote, e tratamento de assimetrias remanescentes.
Como é Feita a Cirurgia em Passo Fundo
A mamoplastia de aumento é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral conduzida por médico anestesiologista, com duração média de 1h30 a 2h30. As etapas incluem:
- Marcação pré-operatória detalhada com a paciente em pé
- Indução anestésica e antibioticoprofilaxia
- Incisão na via de acesso planejada
- Dissecção do plano (subglandular, subfascial, submuscular ou dual plane)
- Criação da loja para o implante com técnica meticulosa de hemostasia
- Irrigação com solução antisséptica
- Colocação do implante com técnica no-touch (mínima manipulação do implante)
- Eventual reforço com tela absorvível em casos selecionados
- Eventual lipoenxertia complementar
- Síntese cuidadosa em planos e curativo modelador
A cirurgia é realizada no Hospital de Clínicas de Passo Fundo (HCPF) ou no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), com equipe completa e protocolos de segurança atualizados.
Pré-Operatório
O pré-operatório inclui:
- Anamnese completa com histórico mamário, gestações, lactação prévia e história familiar de câncer de mama
- Exame físico mamário completo
- Exames laboratoriais e eletrocardiograma
- Avaliação cardiológica conforme indicação
- Mamografia e/ou ultrassonografia mamária conforme protocolo SBM/CBR e idade
- Cessação de tabagismo por pelo menos 30 dias antes
- Suspensão de antiagregantes plaquetários, anti-inflamatórios e suplementos com ação anticoagulante entre 7 e 14 dias antes
- Profilaxia de tromboembolismo venoso conforme escore de Caprini
Recuperação Semana a Semana
1ª semana — Repouso relativo com elevação dos braços limitada. Uso contínuo de top compressivo. Curativos conforme orientação. Dor controlada com medicação analgésica oral.
2ª semana — Retomada gradual de atividades leves. Retorno laboral para trabalho administrativo (entre 7 e 14 dias). Uso contínuo de top compressivo. Possível início de drenagem linfática manual conforme indicação.
3ª a 4ª semana — Início de caminhadas como atividade física estruturada (em esteira ou ao ar livre) — uso contínuo de top compressivo. A mobilização precoce dentro de casa, para profilaxia de tromboembolismo, ocorre já desde os primeiros dias.
5ª a 7ª semana — Atividade física moderada sem impacto. Edema em redução progressiva.
8ª a 12ª semana — Liberação progressiva para musculação e exercícios mais intensos, com musculação de membros superiores e exercícios de impacto liberados a partir de 60 a 90 dias, conforme avaliação.
A partir do 3º mês — Resultado estético em definição. Cicatrizes em maturação progressiva por 6 a 12 meses.
Resultados Esperados
O resultado precoce (30 a 60 dias) ainda contém edema. O resultado intermediário (3 a 6 meses) revela a forma definida com a maior parte do edema resolvido. O resultado final estabiliza-se entre 6 e 12 meses, com cicatrizes amadurecidas. Em pacientes com lipoenxertia complementar, o resultado se define após a integração da gordura.
Os resultados variam conforme cada paciente, sendo influenciados por fatores como qualidade da pele, tipo de implante, plano de posicionamento, técnica cirúrgica e cuidados pós-operatórios.
Implantes de silicone têm durabilidade variável e podem demandar revisão futura conforme indicação clínica — ruptura, contratura capsular (endurecimento da cápsula fibrosa que se forma naturalmente ao redor do implante) sintomática, alteração de posição ou mudança de preferência estética. O acompanhamento de longo prazo com exames de imagem é recomendado.
Riscos e Segurança
Como toda cirurgia, a mamoplastia de aumento envolve riscos perioperatórios e específicos. Os principais incluem:
- Riscos anestésicos — minimizados por avaliação pré-anestésica e equipe qualificada
- Sangramento e hematoma — controlados por técnica meticulosa de hemostasia
- Infecção — minimizada por antibioticoprofilaxia e técnica asséptica
- Tromboembolismo venoso — prevenido por escore de Caprini e profilaxia individualizada
- Contratura capsular — formação anormal de cápsula fibrosa em torno do implante (Baker I a IV; III e IV são sintomáticos)
- Alteração de sensibilidade do complexo aréolo-papilar — frequente nas primeiras semanas, com recuperação progressiva
- BIA-ALCL — neoplasia rara cujo risco é maior em implantes texturizados, especialmente em linhas macrotexturizadas específicas (a linha Allergan BIOCELL foi retirada do mercado em 2019)
- Resultados estéticos abaixo do esperado — minimizados por avaliação adequada de expectativas
A minimização dos riscos passa pela seleção adequada da paciente, técnica cuidadosa, equipe qualificada, estrutura hospitalar adequada, cessação de tabagismo, profilaxia de tromboembolismo e cuidados pós-operatórios disciplinados.
Sobre o Cirurgião
O Dr. Daniel Ribeiro Lopes é cirurgião plástico em Passo Fundo (RS), Membro Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Título de Especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira (AMB). Concluiu residência em Cirurgia Plástica no Hospital Cristo Redentor — Grupo Hospitalar Conceição (Porto Alegre), instituição credenciada pelo MEC e pela SBCP. CRM-RS 33481 — RQE 34958. Saiba mais sobre a formação e a trajetória.
Perguntas Frequentes
Qual o melhor tipo de implante de silicone?
Não existe “melhor implante” universal. A escolha é individualizada conforme anatomia torácica, qualidade do tecido mamário, expectativa estética e perfil clínico da paciente. As decisões incluem tipo de superfície, formato, perfil e volume.
Qual a melhor via de acesso para mamoplastia de aumento?
As três vias principais — inframamária, periareolar e axilar — têm vantagens e limitações específicas. A inframamária permite controle técnico preciso; a periareolar é útil em aréolas maiores; a axilar evita cicatriz na mama. A escolha é discutida em consulta.
Qual a melhor posição para o implante?
Depende da anatomia da paciente. Pacientes com tecido mamário robusto podem ter implante subglandular ou subfascial; pacientes com pouco tecido mamário podem se beneficiar do plano submuscular ou dual plane.
O que é BIA-ALCL?
BIA-ALCL é uma neoplasia rara cujo risco é maior em implantes texturizados, especialmente em linhas macrotexturizadas específicas. A linha Allergan BIOCELL foi retirada do mercado pela FDA em 2019. Implantes lisos têm risco substancialmente menor descrito na literatura. A literatura e os órgãos regulatórios (FDA, ANVISA) continuam acompanhando o tema.
Implantes de silicone duram a vida toda?
Não. Implantes de silicone têm durabilidade variável e podem demandar revisão futura conforme indicação clínica. O acompanhamento de longo prazo com exames de imagem é recomendado.
O que é contratura capsular?
A contratura capsular é a formação anormal de cápsula fibrosa em torno do implante, com contração e endurecimento. É classificada em quatro graus (Baker I a IV); graus III e IV são sintomáticos e podem demandar tratamento cirúrgico.
Posso amamentar após mamoplastia de aumento?
Em geral, a amamentação após mamoplastia de aumento é possível. As técnicas atuais preservam os ductos lactíferos e a vascularização do complexo aréolo-papilar.
Quanto tempo dura a recuperação da mamoplastia de aumento?
Retorno laboral entre 7 e 14 dias para trabalho administrativo. Atividade física moderada entre 30 e 45 dias. Musculação de membros superiores e exercícios intensos a partir de 60 a 90 dias, conforme avaliação.
Posso fazer mamoplastia de aumento se quero ter filhos depois?
Sim — a mamoplastia de aumento pode ser realizada antes de gestações futuras. A mamoplastia de aumento não impede gestação ou amamentação subsequente. Contudo, gestação e variações ponderais podem alterar a aparência das mamas.
Quando vejo o resultado final da mamoplastia de aumento?
O resultado final estabiliza-se entre 6 e 12 meses, com cicatrizes amadurecidas. Os resultados variam conforme cada paciente.
Agendamento
Para agendar consulta presencial e avaliação individualizada, entre em contato com o consultório em Passo Fundo (RS). A consulta inclui anamnese completa, exame físico orientado, discussão de alternativas técnicas e definição do plano cirúrgico individualizado.
Dr. Daniel Ribeiro Lopes — Médico — CRM-RS 33481 — Cirurgia Plástica — RQE 34958.
