Lipoenxertia
A lipoenxertia — também chamada de lipotransferência, lipofilling ou transferência autóloga de gordura — é o procedimento cirúrgico que remove gordura do próprio paciente por lipoaspiração, processa esse tecido sob condições estéreis e o reinjeta como microenxertos em outras áreas para restaurar volume, refinar contorno ou tratar irregularidades. A técnica é utilizada em diferentes contextos, como face, mama, glúteos, mãos e cicatrizes, com diferentes formas de processamento e injeção conforme o objetivo.
Ficha Técnica
| Indicação principal | Restauração volumétrica e refinamento de contorno em face, mama, glúteos, mãos, cicatrizes deprimidas e em definição muscular corporal |
| Anestesia | Local com sedação, peridural ou geral, conforme extensão e área receptora |
| Duração estimada | Aproximadamente 1 a 4 horas, conforme volume e regiões tratadas |
| Hospital | Hospital de Clínicas de Passo Fundo (HCPF) ou Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) |
| Internação | Ambulatorial ou 1 diária |
| Retorno ao trabalho | 5 a 14 dias, conforme área receptora |
| Atividade física | Mobilização precoce desde os primeiros dias; caminhada como exercício a partir de 15–30 dias; atividade física estruturada após 30 a 45 dias |
| Resultado final | 3 a 6 meses, após estabilização da integração do enxerto |
Os tempos descritos são faixas típicas. A indicação cirúrgica e o planejamento individual são definidos em consulta presencial. Os resultados variam conforme cada paciente.
O Que é a Lipoenxertia
A lipoenxertia é a transferência autóloga de tecido adiposo: a gordura é coletada de regiões doadoras do próprio paciente — tipicamente abdome, flancos, dorso, coxas internas ou joelhos — por meio de lipoaspiração com cânulas de baixa pressão, processada para separar adipócitos viáveis do excesso de fluido tumescente, óleo livre e detritos celulares, e reinjetada em microenxertos na área receptora.
Por se tratar de tecido próprio do paciente (autólogo), não há risco de rejeição imunológica. A gordura enxertada precisa ser revascularizada pelo leito receptor para sobreviver a longo prazo — esse processo, chamado de integração, ocorre principalmente nos primeiros 90 dias e determina a taxa final de pega do enxerto. Essa taxa é variável e, em muitos cenários clínicos, pode situar-se aproximadamente entre 50% e 70%, conforme técnica, área tratada, qualidade do leito receptor, volume injetado por sessão e características individuais.
A lipoenxertia pode ser realizada como procedimento isolado ou — com mais frequência — como técnica complementar a outras cirurgias plásticas: associada à mamoplastia de aumento, à mastopexia sem prótese, ao explante mamário, ao lifting facial, à lipoabdominoplastia e à lipoaspiração de alta definição.
Quem é Candidato à Lipoenxertia
A indicação inclui pacientes com:
- Perda volumétrica facial associada ao envelhecimento — regiões malar, temporal, sulco lágrima, sulco nasogeniano, mandíbula
- Assimetrias mamárias congênitas ou pós-cirúrgicas — refinamento de contorno em conjunto com mamoplastia de aumento ou mastopexia
- Pacientes em pós-explante mamário — restauração parcial de volume com tecido próprio
- Sequelas de ginecomastia — refinamento de transições e correção de irregularidades de contorno
- Cicatrizes deprimidas, aderidas ou retraídas — pós-traumáticas, pós-cirúrgicas ou pós-acne
- Lipodistrofias localizadas — síndrome do contorno glúteo deficiente, depressões em coxas e flancos pós-emagrecimento
- Definição muscular corporal — em lipoaspiração de alta definição, com lipoenxertia intramuscular para acentuação do relevo
- Rejuvenescimento de mãos — restauração do contorno dorsal com perda de volume associada ao envelhecimento
A lipoenxertia exige a presença de área doadora suficiente. Pacientes muito magros podem ter limitação na disponibilidade de gordura, o que influencia o planejamento e pode justificar abordagem em mais de um tempo cirúrgico.
Tipos e Técnicas de Lipoenxertia
A lipoenxertia contemporânea é estruturada em três etapas técnicas — captação, processamento e injeção — e cada uma delas pode ser executada de formas diferentes, com impacto direto na taxa de integração e no resultado.
Princípios de Coleman
Os princípios descritos pelo cirurgião plástico Sydney Coleman tornaram-se a base técnica internacional da lipoenxertia moderna. Estabelecem três pilares:
- Captação atraumática — aspiração com cânulas de calibres pequenos (geralmente 2,4 a 3 mm) e baixa pressão negativa, preservando a viabilidade dos adipócitos
- Processamento controlado — separação dos adipócitos viáveis do excesso de fluido, óleo livre e detritos celulares, por decantação ou centrifugação suave
- Injeção em microenxertos — distribuição da gordura em pequenas alíquotas, em múltiplos planos, com cânulas finas, evitando depósitos volumosos que comprometeriam a revascularização
A adesão a esses princípios é o fator técnico mais consistentemente associado a melhor taxa de integração nos consensos internacionais.
Captação — Tecnologias e Cânulas
A captação é etapa decisiva, porque determina a viabilidade celular do enxerto antes mesmo do processamento. As variáveis técnicas incluem:
- Calibre da cânula — cânulas de captação de 2,4 a 3 mm são consideradas padrão para preservação de adipócitos
- Pressão negativa — pressões baixas (seringa manual ou aspirador regulado em pressão reduzida) são preferidas; pressões elevadas aumentam o trauma celular
- Tecnologia adjuvante — em áreas fibrosas, tecnologias como VASER (ultrassom) ou MicroAire (PAL — vibratória) podem ser utilizadas; o impacto sobre a viabilidade do enxerto depende de parâmetros adequados de uso
Processamento — Métodos Atuais
Após a captação, o tecido aspirado é uma mistura heterogênea: adipócitos íntegros, células-tronco mesenquimais, fluido tumescente, óleo livre, hemácias e detritos. O processamento separa o componente viável a ser enxertado.
Os principais métodos disponíveis são:
- Decantação simples — sedimentação do tecido por gravidade; método mais antigo, simples e de baixo custo, com desempenho aceitável em volumes pequenos
- Centrifugação suave — protocolo descrito por Coleman utiliza 1.200 a 3.000 rpm por 3 minutos; separa o componente em três camadas (óleo, gordura, fluido) para coleta do estrato adipocitário viável
- Lavagem — irrigação com solução salina para remoção de hemácias, lidocaína residual e detritos
- Filtração e sistemas fechados — sistemas comerciais descritos na literatura — como Revolve (Allergan), PureGraft, Lipivage e Lipogems — processam a gordura em circuito fechado, com lavagem e filtração padronizadas, reduzindo manipulação manual e exposição ao ambiente; a disponibilidade depende da estrutura utilizada
A escolha do método de processamento depende do volume a ser enxertado, da área receptora, do tempo cirúrgico disponível e da preferência técnica baseada em evidência clínica.
Tipos de Enxerto por Tamanho de Partícula
A gordura processada pode ser refinada em diferentes calibres conforme o objetivo da injeção:
- Macrofat — partículas maiores (acima de 2,4 mm); utilizadas para restauração de volume em áreas selecionadas. Na mama, podem ser aplicadas em planos profundos conforme indicação técnica; no glúteo, a aplicação deve respeitar o plano subcutâneo, evitando injeção intramuscular
- Microfat — partículas refinadas (geralmente 1 a 2 mm); utilizadas em planos intermediários (face, transições)
- Nanofat — descrito por Patrick Tonnard, é a gordura emulsificada por passagens repetidas entre seringas com conectores de pequeno calibre; perde adipócitos viáveis, mas concentra fração estromovascular e fatores de crescimento; não tem efeito volumétrico, sendo utilizada para melhora de qualidade da pele em planos superficiais (intradérmico/subdérmico), em rugas finas, olheiras e textura
- SEFFI (Superficial Enhanced Fluid Fat Injection) — partículas obtidas com cânulas muito finas, para injeção superficial controlada; descritas por Bernardini para refinamento facial
- SNIF (Sharp Needle Intradermal Fat) — injeção intradérmica com agulha, indicada para sulcos finos como linhas de marionete e linhas perilabiais
Enriquecimento Celular — Lipoenxertia com SVF e Cell-Assisted Lipotransfer
A fração vascular estromal (SVF — Stromal Vascular Fraction) é a porção do tecido adiposo rica em células-tronco mesenquimais e progenitoras endoteliais. Pode ser obtida por digestão enzimática (com colagenase) ou métodos mecânicos. O conceito de CAL — Cell-Assisted Lipotransfer, descrito originalmente por pesquisadores japoneses, propõe enriquecer a gordura a ser enxertada com SVF para potencialmente aumentar a taxa de integração.
A regulamentação brasileira (Anvisa) restringe procedimentos com manipulação enzimática de células fora de ambiente regulado, e a aplicação clínica segue critérios técnicos e éticos definidos pela SBCP e pelo CFM. Em consulta, é possível esclarecer o que é técnica consagrada, o que ainda é experimental e o que não tem amparo regulatório no Brasil.
Injeção — Cânulas e Planos
A injeção é a etapa que distribui o enxerto no leito receptor. Os princípios técnicos incluem:
- Cânulas finas e rombas (geralmente 0,7 a 1,6 mm) — minimizam trauma vascular e risco de injeção intravascular
- Movimento contínuo de avanço/recuo (retrograda) com saída lenta de pequena alíquota a cada passagem
- Múltiplos planos — distribuição em mais de um plano anatômico, evitando depósitos concentrados
- Múltiplos vetores — abordagem em diferentes ângulos de entrada para distribuição homogênea
Lipoenxertia Facial Volumétrica
A lipoenxertia facial trata o componente volumétrico do envelhecimento — perda de gordura em compartimentos profundos e superficiais da face. Áreas habituais incluem região malar, sulco lágrima (tear trough), região temporal, sulco nasogeniano, linhas de marionete, mandíbula, mento e lábios. Quando associada ao lifting facial, permite abordagem composta de flacidez, reposicionamento dos planos profundos e restauração volumétrica em um único ato. Em pacientes com olheiras profundas, pode ser combinada à blefaroplastia.
Lipoenxertia Mamária
Aplicação estabelecida como técnica complementar em cirurgias de mama, quando bem indicada. As principais indicações são:
- Refinamento de transições após mamoplastia de aumento, reduzindo a visibilidade das bordas do implante em pacientes magras
- Correção de assimetrias congênitas ou adquiridas
- Restauração de volume após explante mamário — total ou parcialmente, conforme volume disponível e expectativa da paciente
- Refinamento do polo superior em mastopexia sem prótese — restituindo plenitude com tecido próprio
- Síndrome de Poland e malformações congênitas
O acompanhamento por imagem (ultrassom e mamografia) segue protocolos específicos por considerar a possibilidade de cistos oleosos e calcificações benignas pós-enxertia, que devem ser distinguidos de achados que demandam investigação.
Lipoenxertia Glútea Guiada por Ultrassom
A lipoenxertia glútea — também conhecida pelo termo internacional BBL (Brazilian Butt Lift) — passou por revisão importante de segurança após relatos internacionais de embolia gordurosa associados à injeção em planos profundos. As recomendações contemporâneas incluem:
- Injeção exclusivamente subcutânea — nunca intramuscular
- Visualização ultrassonográfica em tempo real, quando disponível — confirma o plano correto e evita o ângulo de risco vascular
- Cânulas rígidas, de calibre adequado, em movimento controlado
- Volume e ângulo de injeção controlados, evitando regiões anatômicas de maior risco vascular (proximidade dos vasos glúteos)
A lipoenxertia glútea guiada por ultrassom é uma estratégia contemporânea de segurança, pois permite confirmar em tempo real que a gordura está sendo injetada no plano subcutâneo, e não em planos profundos. Essa abordagem permite confirmação visual do plano de injeção dentro dos protocolos atuais de prevenção de embolia gordurosa.
U-Graft — Lipoenxertia Intramuscular Guiada por Ultrassom em Alta Definição
Em lipoaspiração de alta definição, a lipoenxertia intramuscular pode ser utilizada para acentuar o relevo de grupos musculares específicos. O U-Graft (Ultrasound-Guided Rectus Abdominis Fat Transfer) propõe a injeção controlada de gordura nos músculos retos abdominais, com monitoramento ultrassonográfico em tempo real, permitindo definição muscular adicional em casos selecionados. A indicação é restrita, depende de anatomia, perfil de risco e objetivo estético, e é decidida individualmente em consulta. O procedimento exige treinamento específico em ultrassonografia intraoperatória.
Essa lógica técnica não se aplica à lipoenxertia glútea, em que o plano recomendado de segurança é exclusivamente subcutâneo.
RAFT — Rectus Abdominis Fat Transfer
O RAFT (Rectus Abdominis Fat Transfer) é a lipoenxertia intramuscular nos músculos retos abdominais aplicada no contexto da lipoabdominoplastia de média definição. A gordura captada na etapa de lipoaspiração ampla — característica da técnica de Saldanha — é processada e reinjetada em microenxertos diretamente no ventre dos retos abdominais, com o objetivo de acentuar de forma sutil o relevo da linha alba e dos sulcos intermusculares, integrando definição muscular discreta ao tratamento simultâneo de flacidez cutânea, diástase e excesso adiposo.
A injeção segue os mesmos princípios técnicos da lipoenxertia: cânulas adequadas ao plano intramuscular, baixa pressão de injeção e microenxertos distribuídos em múltiplos vetores. O monitoramento ultrassonográfico em tempo real é recomendado para confirmação do plano correto e para minimização de risco vascular.
O RAFT distingue-se do U-Graft pelo contexto cirúrgico em que se aplica: o U-Graft é executado em lipoaspiração de alta definição (sem ressecção de pele, sem plicatura), com objetivo de definição muscular acentuada; o RAFT é executado em lipoabdominoplastia, em que a lipoenxertia intramuscular complementa o tratamento composto de pele, parede muscular e contorno, com objetivo tipicamente de média definição.
Lipoenxertia para Mãos, Cicatrizes e Reconstrução
- Rejuvenescimento das mãos — restauração do contorno dorsal com camuflagem de tendões e veias proeminentes; resultado tipicamente duradouro
- Cicatrizes deprimidas e aderidas — a lipoenxertia, frequentemente combinada à liberação de aderências (rigotomia/subscisão), libera o leito cicatricial e oferece tecido viável; o efeito biológico da fração estromal contribui para melhora da textura
- Reconstrução pós-traumática — em sequelas faciais e em deformidades de contorno
Como é Feita a Cirurgia em Passo Fundo
A lipoenxertia é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia escolhida conforme extensão e área receptora — local com sedação para procedimentos pequenos (face, cicatrizes), peridural ou raquianestesia para procedimentos corporais selecionados, ou anestesia geral conduzida por médico anestesiologista para casos extensos ou combinados. A duração média varia entre 1 e 4 horas. As etapas incluem:
- Marcação pré-operatória detalhada das áreas doadoras e receptoras
- Indução anestésica e antibioticoprofilaxia
- Profilaxia mecânica e farmacológica de tromboembolismo venoso conforme escore de risco
- Posicionamento adequado do paciente
- Pequenas incisões de 3 a 5 mm na área doadora
- Infiltração tumescente com solução adequada à preservação dos adipócitos
- Captação da gordura com cânulas de calibre apropriado e baixa pressão negativa
- Processamento da gordura por decantação, centrifugação suave, lavagem ou sistema fechado, conforme técnica escolhida
- Refinamento do enxerto em macrofat, microfat ou nanofat conforme área receptora
- Injeção em microenxertos com cânulas finas, em múltiplos planos e múltiplos vetores
- Em lipoenxertia glútea, monitoramento ultrassonográfico em tempo real para confirmação do plano subcutâneo
- Em lipoenxertia intramuscular (U-Graft ou RAFT), monitoramento ultrassonográfico em tempo real do plano muscular
- Síntese das pequenas incisões e curativo modelador
A internação habitual é ambulatorial em casos isolados ou de uma diária em procedimentos extensos. A cirurgia é realizada no HCPF ou HSVP.
Pré-Operatório
O pré-operatório inclui anamnese completa com histórico de cirurgias prévias, medicamentos em uso, comorbidades e fatores de risco trombótico; exame físico com avaliação da área doadora (volume disponível) e da área receptora (qualidade da pele, vascularização, presença de cicatrizes); exames laboratoriais e eletrocardiograma; avaliação cardiológica com risco cirúrgico estratificado em pacientes com comorbidades; em lipoenxertia mamária, exames de imagem de base (ultrassonografia mamária e/ou mamografia) conforme protocolo da paciente; cessação de tabagismo por pelo menos 30 dias antes — fator decisivo para a integração do enxerto, dado o efeito vasoconstritor da nicotina sobre a microcirculação do leito receptor; suspensão de antiagregantes plaquetários, anti-inflamatórios não esteroidais e suplementos com ação anticoagulante entre 7 e 14 dias antes; e discussão clara sobre a expectativa realista de resultado, a taxa de integração — variável e, em muitos cenários clínicos, aproximadamente entre 50% e 70% — a necessidade eventual de retoque em segundo tempo e o impacto de variações ponderais sobre o resultado.
Recuperação Semana a Semana
1ª semana — Repouso relativo. Curativo e cinta compressiva na área doadora. Em lipoenxertia facial, evitar compressão direta sobre as áreas enxertadas. Edema importante na área receptora.
2ª semana — Retomada gradual de atividades leves. Edema e equimose em redução progressiva. Retorno laboral para trabalho administrativo entre o 7º e o 14º dia, conforme área receptora.
3ª a 4ª semana — Retomada de atividades habituais. Drenagem linfática manual conforme indicação. Em lipoenxertia glútea, restrição postural específica nas primeiras 2 a 3 semanas.
5ª a 7ª semana — Atividade física moderada sem impacto. Retomada gradual de musculação leve.
8ª a 12ª semana — Liberação progressiva para musculação completa e exercícios intensos a partir de 60 a 90 dias.
A partir do 3º mês — Estabilização da integração do enxerto. O resultado começa a se definir com a reabsorção do tecido não integrado.
Resultados Esperados
O resultado precoce (15 a 30 dias) está superestimado pelo edema do leito receptor e pelo volume não integrado. Entre 30 e 90 dias ocorre a reabsorção do tecido não revascularizado e a estabilização da integração. O resultado intermediário (3 a 6 meses) reflete o volume verdadeiramente integrado e tende a ser duradouro.
A taxa de integração é variável e, em muitos cenários clínicos, pode situar-se aproximadamente entre 50% e 70%, com variação individual conforme técnica, área receptora, qualidade do leito, volume injetado por sessão e cuidados pós-operatórios.
Em áreas pouco móveis e bem vascularizadas, como a face, a integração tende a ser mais previsível. Em áreas de maior mobilidade ou com cicatrizes prévias, a integração pode exigir mais de uma sessão. A possibilidade de retoque em segundo tempo é discutida no planejamento e faz parte da estratégia da técnica em casos selecionados.
A gordura integrada comporta-se como o tecido adiposo do paciente: pode aumentar de volume com ganho ponderal e reduzir com emagrecimento. A manutenção do peso é fator relevante para preservação do resultado.
Os resultados variam conforme cada paciente.
Riscos e Segurança
Os principais riscos da lipoenxertia incluem:
- Riscos anestésicos conforme tipo de anestesia e perfil clínico
- Reabsorção parcial do enxerto — esperada em todos os casos, com magnitude variável
- Irregularidades de contorno — em planos superficiais, especialmente quando há sub ou superenxertia
- Cistos oleosos e calcificações — particularmente em mama; benignos, porém exigem caracterização adequada por imagem
- Hematoma e seroma
- Infecção do leito receptor
- Embolia gordurosa — risco específico, raro porém grave, particularmente associado à lipoenxertia glútea realizada fora dos protocolos atuais de segurança (injeção em planos profundos ou sem confirmação do plano subcutâneo); mitigado pela injeção exclusivamente subcutânea com confirmação ultrassonográfica em tempo real, quando disponível
- Necrose gordurosa — focos de gordura não integrada que se manifestam como nódulos firmes
- Tromboembolismo venoso — risco específico em procedimentos extensos, prevenido por escore de Caprini e profilaxia individualizada
A minimização dos riscos passa pela seleção adequada do paciente, técnica criteriosa em todas as etapas (captação atraumática, processamento controlado, injeção em microenxertos), respeito aos protocolos contemporâneos de segurança em lipoenxertia glútea, equipe qualificada e cuidados pós-operatórios disciplinados.
Sobre o Cirurgião
O Dr. Daniel Ribeiro Lopes é cirurgião plástico em Passo Fundo (RS), Membro Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Título de Especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira (AMB). Concluiu residência em Cirurgia Plástica no Hospital Cristo Redentor — Grupo Hospitalar Conceição (Porto Alegre), instituição credenciada pelo MEC e pela SBCP. CRM-RS 33481 — RQE 34958. Saiba mais sobre a formação e a trajetória.
Perguntas Frequentes
O que é lipoenxertia?
Lipoenxertia — também chamada de lipotransferência, lipofilling ou transferência autóloga de gordura — é a cirurgia que retira gordura do próprio paciente por lipoaspiração, processa esse tecido sob condições estéreis e o reinjeta em microenxertos em outras áreas para restaurar volume, refinar contorno ou tratar irregularidades. É utilizada em diferentes contextos, como face, mama, glúteos, mãos, cicatrizes e definição muscular corporal.
Qual a taxa de integração da gordura?
A taxa de integração é variável e, em muitos cenários clínicos, pode situar-se aproximadamente entre 50% e 70%, com variação individual conforme técnica, área receptora, qualidade do leito, volume injetado por sessão e cuidados pós-operatórios. Em áreas bem vascularizadas e pouco móveis, a integração tende a ser mais previsível. Esse comportamento é levado em conta no planejamento técnico e na expectativa discutida em consulta.
Lipoenxertia precisa de mais de uma sessão?
Em algumas áreas, sim. Cicatrizes deprimidas, depressões pós-traumáticas e regiões com pouca vascularização podem demandar mais de uma sessão para alcançar o resultado desejado. A possibilidade de retoque é discutida no planejamento e faz parte da estratégia técnica em casos selecionados. Em lipoenxertia facial e mamária complementar, frequentemente uma sessão é suficiente.
Qual a diferença entre microfat, macrofat e nanofat?
Macrofat tem partículas maiores e é utilizado em planos profundos para volume (mama, glúteo). Microfat tem partículas refinadas e é utilizado em planos intermediários (face, transições). Nanofat — descrito por Tonnard — é gordura emulsificada, sem efeito volumétrico, usada para melhora de qualidade da pele em planos superficiais (rugas finas, olheiras, textura), pois concentra fração estromovascular e fatores de crescimento.
Lipoenxertia glútea (BBL) é segura?
A lipoenxertia glútea pode ser realizada com maior segurança quando segue protocolos contemporâneos: injeção exclusivamente subcutânea, cânulas adequadas, controle do trajeto da cânula e, quando disponível, uso de ultrassom intraoperatório em tempo real para confirmar o plano correto. Esses cuidados foram incorporados às recomendações internacionais após a identificação de riscos associados à injeção em planos profundos. A indicação deve ser individualizada em consulta.
Posso fazer lipoaspiração e lipoenxertia juntas?
Sim. A lipoenxertia depende da lipoaspiração como fonte da gordura — toda lipoenxertia inclui uma etapa de captação por lipoaspiração. Em lipoaspiração de alta definição, é tipicamente combinada com lipoenxertia intramuscular guiada por ultrassom (U-Graft). Na lipoabdominoplastia, a lipoenxertia intramuscular nos retos abdominais (RAFT) pode complementar a definição muscular. Em mama, frequentemente combina-se lipoaspiração de áreas doadoras com lipoenxertia mamária complementar.
A gordura volta na área doadora?
As células de gordura aspiradas para captação não se regeneram, mas as células remanescentes na área doadora podem aumentar de volume com ganho ponderal. A manutenção do peso é fator relevante para preservação do resultado tanto na área doadora quanto na área receptora. Ganho significativo de peso pode alterar o contorno conquistado.
Lipoenxertia engorda?
Não. Lipoenxertia é redistribuição de gordura: o tecido aspirado de uma área é reinjetado em outra. Não promove ganho ponderal. O volume corporal total tende a ser ligeiramente menor após a cirurgia, em razão da reabsorção parcial do enxerto e do volume retirado por aspiração na área doadora.
Quanto tempo dura o resultado da lipoenxertia?
A gordura integrada — em geral parcela significativa do volume injetado, em muitos cenários clínicos aproximadamente entre 50% e 70% — comporta-se como o tecido adiposo do paciente e tende a ser duradoura, podendo persistir por muitos anos. Ganho ou perda significativa de peso altera o volume integrado, da mesma forma que afeta o restante do tecido adiposo do paciente. Em pacientes com peso estável, o resultado é apreciável a longo prazo.
Lipoenxertia facial substitui preenchimento com ácido hialurônico?
Não, são técnicas distintas com indicações próprias. O preenchimento com ácido hialurônico é um procedimento estético não cirúrgico, com efeito temporário (de meses a poucos anos) e correção precisa de pequenos volumes em consultório. A lipoenxertia facial é um procedimento cirúrgico que utiliza gordura do próprio paciente, indicada para restauração volumétrica mais ampla (regiões malar, sulco lágrima, temporal, mandíbula), com resultado tipicamente duradouro após a integração do enxerto. A escolha entre as duas — ou a combinação — depende do componente volumétrico a tratar e é definida em consulta.
Dr. Daniel Ribeiro Lopes — Médico — CRM-RS 33481 — Cirurgia Plástica — RQE 34958.
